sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Sintetizar felicidade

E é preciso seguir em frente. Por mais que nos magoe por mais que nos entristeça, temos que levantar a cabeça, limpar as lágrimas e engolir o soluço. Vamos sintetizar felicidade, criar um castelo de papel, e tentar olhar as estrelas em céu nublado. Elas estão lá, e continuarão lá mesmo quando tu já cá não estiveres. Elas permanecerão durante o que para ti será infinitamente extenso no tempo, e serão contempladas pelos teus mesmo daqui a milhares de anos. Por isso respira fundo, fecha os olhos, conta até três, e de sorriso no rosto surpreende a tua vida. Carrega em ti as lembranças e não as magoas. Tudo tem um começo, um meio e um fim, e por menor que tenha sido, se foi bom, foi mais e nunca menos. Não te lembres do que te fez chorar, mas sim do que te fez sorrir. Não carreguemos toda a dor, chegam as cicatrizes para lembrar. 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Fórmula

Fórmula: Conhecer+querer=infelicidade.  O problema está no conhecer e depois querer. Está no mais. No além. O problema está no futuro. O presente só dói porque o amanhã não me dará o que anseio hoje. Sou infeliz hoje, amanhã e serei sempre. Porque jamais estarei completa num mundo em que exijo de mim mais e mais só porque vi e quero, só porque sim. Não existe nada palpável que nos mostre que esse querer seja suficientemente válido para o sofrimento. Existe no entanto todo o querer do mundo que me fazem aperto no peito e a alma doer. E o mundo não vai parar de girar, o sol não vai deixar de brilhar nem a pele de envelhecer. E mesmo assim serei sempre um pedaço de vida a procura de mais viver no meio de tanto querer e não ter.

sábado, 8 de agosto de 2015

Humanos

Existem sempre duas formas de ver o mundo. Os que acham que devemos ceder, e os que acham que devemos sempre nos manter hirtos e rijos. Em qualquer uma delas estarás errado. Pois neste mundo tanto é coitado o velho que leva o burro ao colo, quanto o burro que leva o velho montado. A vida é um pau de dois bicos, e tu tanto passas de besta a bestial, quanto de bestial a besta. E nem é uma questão de ying-yang, pois aqui não estamos a falar de oposto quanto a negativo e positivo, estamos a falar de opiniões controversas que fazem de ti incorreto independentemente da escolha que decidas tomar. Claro que podemos ver também pelo lado positivo! E ver copo meio cheio, em vez de meio vazio, mas na realidade a trampa é a mesma. Porque a verdade é que o copo está a meio. Ninguém é totalmente positivo, ou negativo, ninguém é tão branco como a neve nem tão negro como a noite. Ninguém. A vida é uma questão de cinzas, de meios-termos, de meios. E isso não é mau! É humano. Por teres perdido a corrida uma vez, não faz de ti um falhado, como teres errado também não faz de ti um erro. É assim a vida, é assim o ser humano. Um conjunto de sortes e azares, que bem ou mal constroem o futuro.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Humor Matinal

Mulher não precisa de motivo nem razão, basta ser mulher. Existem aqueles dias que acordar cedo nem é o pior, pior é acordar mesmo. Todos os dias acordo da mesma forma, com o mesmo despertador, com o mesmo propósito, mas nem sempre com a mesma disposição. Hoje é um desses dias. O lençol que desprendeu, o verniz que se perdeu na mala, a unha quebrada. Não que isso seja importante. Para quem me conhece, sabe que de todo dou valor a coisas tão superficiais. Bom, talvez ligue um pouco ao lençol que desprendeu, não gosto, é das poucas coisas que me fazem trepar paredes em 2 segundos. No entanto, hoje não sei porque acordei com uma disposição peculiar de quem vai mandar explodir o mundo em menos de nada. Sinto minhas variações humorísticas como ritmos cardíacos. Tanto estou a rir como de um momento para o outro a mandar tudo pelo ar. Sim eu sei… Ainda é de manhã. Agora imaginem a agonia. Ainda tenho o dia todo pela frente. 


terça-feira, 4 de agosto de 2015

Sombra

Mesmo que de mim não saiam mais arco-íris de sorrisos rasgados, que a resposta seja sempre o silêncio, que para além disto não haja mais nada. Mesmo assim, em mim permanecerá o que de mais forte existe. O acreditar. Guardarei em mim a esperança de haver um sim em cada não, uma luz no escuro e um brilho no olhar seco. Porque mesmo que tenha perdido pedaços de mim em cada uma das vidas que vivi, amarei sempre em pleno a historia que elegi viver. E esperarei mil anos, se preciso, para reviver, se possível, todo o caminho torto que tracei. E mesmo tropeçando, caindo e levantando vezes e vezes sem conta, eu amarei cada dia, cada lágrima, cada cicatriz se deste turbilhão de vidas que vivi, eu tenha realmente existido e não tenha sido apenas uma alma sem sombra. 

sábado, 1 de agosto de 2015

Em mim

Houveram fases da minha vida em que pensei não haver saída. Na qual encontrava paredes em vez de portas e grades em vez de janelas. Na qual não contemplava o nascer do sol, nem o saboreava nos seus últimos raios antes de se fazer noite. No entanto, em nenhuma fase tive apenas diante de uma alternativa. Tens sempre o sim e o não, o esquerda ou direita, o vou ou não vou, o quero ou não quero. Em todas as fases, existe um fazes ou não fazes, é são nessas fases que te escolhes, que te acrescentas, e renasces. Em cada pessoa, em cada história, em cada lugar. Um dia, tatuarei em mim o mundo que vivi. E nesse mundo estará cada momento partilhado. Cada pensamento dividido. Cada história vivida.

“Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só. Deixa um pouco de si, e leva um pouco de nós.” Antoine de Saint-Exupéry (frase alterada)



Metades

É mais fácil viver a meia luz. Na meia face, no meio certo, no meio risco. É mais fácil viver no meio. Viver na meia verdade que na realidade é também meia mentira. Às vezes, que não é bem só  às vezes, é mais fácil viver como a lua. Com face negra que ninguém conhece. Quando te das por completo, se te perderes ficas sem nada. Ficas sem face. Se vives na penumbra do que totalmente és, verás em ti a pessoa correcta, honesta, digna de um elogio hipócrita de uma sociedade de meia face também. Mas terás a paz de ser mais um e não o "um" que todas as metades procuram para criticar. A verdade, é uma utópica realidade de quem presta pouca atenção. De quem se distraiu na sua pouca sorte de ser inocente no meio de tanto lobo disfarçado de cordeiro. A verdade, irradia demasiada luz, cega as metades e não chega para tanta escuridão.