quinta-feira, 30 de abril de 2015

Os jovens de hoje



Escravos.
De um país sem futuros, de uns progenitores falidos, de um trabalho sem salário, de uma vida sem sonhos.
Debaixo das saias crescem lentamente, protegidos por quem ainda deles quer saber. Sem visão periférica a única alternativa é partir para um solo fértil que dê frutos. Deixam para trás uma infância cheia de cor, e partem sem fronteiras à procura da luz necessária para voltarem a pintar. Já não são filhos do nosso país. São enteados. Enviados para externatos longe de quem amam. São apenas riscos em folhas de papel onde se podem ler gráficos destrutivos. São apenas a sombra de uma bandeira a meia haste.

Os jovens de hoje, são os filhos do pobre que anda de bolsos furados. São os filhos pródigos que nem à própria casa podem voltar. Os que para sobreviver onde nasceram é necessário engolir e expelir o orgulho e o amor próprio para que todos passem por cima. São os escravos da pátria. E são os escravos dos outros.


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Promessas

Hoje, e porque há muito deixei de o fazer, vou matar saudades de escrever. O facto de expor aquilo que sentimos, é também estarmos dispostos a julgamentos precipitados, más interpretações, é rir e chorar com o nosso próprio parecer quando o sentimento passa e o texto fica.
E relembrar é tão mais leve, que as palavras vêm dar um peso que interpretaremos exagerado, mas na realidade vivido. Portanto, e porque nos entretantos da vida, o que devemos guardar na nossa “caixinha” não são apenas as coisas boas, prometo envelhecer com a dor e rejuvenescer com a felicidade, em cada texto, em cada frase, em cada palavra, e dar o ênfase em cada vírgula, em cada parágrafo e em cada ponto final.

Prometo evitar as reticências e textos inacabados. E deixar em cada texto apenas aquilo que me fará reviver, e não querer viver novamente, para que possa seguir sem olhar para trás como possibilidade, mas como uma oportunidade já vivida.