sábado, 27 de junho de 2015

"Amigas"

Lentamente dissipa-se o cansaço da mágoa. O grito esmorece e a calma embala as memorias. Já não custa respirar e o soluço perdeu-se. O vazio não é substituído, mas vai ficando apertado entre abraços de quem nos quer. O choro toma a densidade da felicidade e abandona a pena. A cada passo floresce um novo jardim. Agora é inspirar e expirar lentamente, passo a passo, sem pressa. A vida não é só feita de perdas. Todos os dias ganhamos o direito de poder fazer diferente, de poder ser diferente. Quando não doí é fácil sorrir, mas quando doí tem mais valor.

sábado, 20 de junho de 2015

Estupidez

Sinto-me ridícula. Desabafo com um diário e com um blog mal-ajeitado. Sinto-me patética! Uma parva sem futuro que tem como melhor amigo um caderno e um computador. Vivo num ninho inacabado de pedaços de mim. Nele, não se cheiram as lembranças nem memórias de sonhos realizados. Cheiram-se apenas refogados feitos à pressa entre os intervalos de uma vida que não escolhi. Quero que saia de mim o rio salgado que mantem-se preso, para que lave minha alma e leve com ele tudo isto. Já não sinto tristeza ou infelicidade apenas. Sinto uma tremenda mágoa que me enraivece e me desperta a vontade de caos.  Não quero sorrisos sinceros, nem olhares meigos. Não sei que fazer com eles quando em mim não reconheço mais nada que me prenda a viver. Não quero a compreensão nem o reconhecimento da dor que sinto, se é que é dor. Não quero o abraço, nem a tristeza de ninguém pelo farrapo que estou. Não quero nada. Não quero em mim, o peso desta merda de vida que trasanda a esforço desperdiçado num contar decrescente.


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Vergonha

Sinto-me envergonhada. Não que tenha feito algo que me faça sentir assim, mas porque na verdade queria que sofresses em vida tudo o que me fazes sofrer nesta morte lenta. Envergonho-me por sentir isto, este sentimento negro que quer que vivas para ver nos olhos de quem amas, o mesmo, que quem me ama vê nos meus. Envergonho-me por saber que me daria imenso prazer ver em ti cada lágrima que chorei,  os olhos fundos das insónias que tive, e a dor de quem se sente impotente como me sinto agora.