Escravos.
De um país sem futuros, de uns progenitores falidos, de um
trabalho sem salário, de uma vida sem sonhos.
Debaixo das saias crescem lentamente, protegidos por quem
ainda deles quer saber. Sem visão periférica a única alternativa é partir para
um solo fértil que dê frutos. Deixam para trás uma infância cheia de cor, e
partem sem fronteiras à procura da luz necessária para voltarem a pintar. Já
não são filhos do nosso país. São enteados. Enviados para externatos longe de
quem amam. São apenas riscos em folhas de papel onde se podem ler gráficos destrutivos.
São apenas a sombra de uma bandeira a meia haste.
Os jovens de hoje, são os filhos do pobre que anda de bolsos
furados. São os filhos pródigos que nem à própria casa podem voltar. Os que para
sobreviver onde nasceram é necessário engolir e expelir o orgulho e o amor próprio
para que todos passem por cima. São os escravos da pátria. E são os escravos
dos outros.

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