quarta-feira, 6 de maio de 2015

Amor



Só te queria dizer que não te odeio. Apesar de tudo, não te odeio. Procuras em mim todas as culpas para encontrares o demónio que tinhas em ti. Procuras em mim todas as falhas que pelas quais morremos os dois. Mas não te odeio mesmo assim. Vês tudo tão sujo, tão negro, tão teu. Porque tu és o escuro da noite. E mesmo assim amei cada parte de ti. Na noite. No escuro. À margem da vida iluminada pelo sol. E mesmo assim continuei a amar-te. Errei, cai, menti mas levantei e segui. E acusas-me do pior quando nem reconheceste nem tiveste capacidade para olhar para além desse teu mundo escuro e fechado. Nem conseguiste ver o quanto grande eras para mim. O quanto mesmo no escuro te via como anjo de luz.
Porque é assim o amor quando partido em dois. Destrutivo. Mais perigoso que a raiva e o odio, e maior que todas as crenças humanas. É capaz de matar, de sacrificar, dar, e exigir.

Mesmo assim não te odeio. Não serão as ofensas, as pragas, a repugnância, o desdém nem a desvalorização que me farão odiar. O que me fará odiar é a dor de não veres além desse teu mundo. De nunca olhares para nós fora desse teu mundo que me repugna. 


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