Vivo no medo. No medo de não ser mais, maior, melhor. De não ser eu livre,
sem pesos nas asas, sem cordas nos pés, sem vendas nos olhos. Tenho medo de
seguir no “ser” e não no “viver”. Pesam-me os olhos por aquilo que chamam de
vida. Se for para ser, que seja a serio e não apenas o bater de um pequeno
coração que faz deste corpo quente. Quero mais. Quero muito mais. E no entanto o
meu mais é tanto menos que me exigem. Apetece-me chorar. Chorar sem medo que me
avistem assim. Chorar na liberdade que trago em mim. Chorar por essa liberdade
fechada, que me proíbem de ter. Vivo no medo de fazer sofrer, de não ter, de nada ser. Tenho medo. Medo
de me fazer sofrer.

Sem comentários:
Enviar um comentário