terça-feira, 26 de maio de 2015

Cativeiro

Vivo no medo. No medo de não ser mais, maior, melhor. De não ser eu livre, sem pesos nas asas, sem cordas nos pés, sem vendas nos olhos. Tenho medo de seguir no “ser” e não no “viver”. Pesam-me os olhos por aquilo que chamam de vida. Se for para ser, que seja a serio e não apenas o bater de um pequeno coração que faz deste corpo quente. Quero mais. Quero muito mais. E no entanto o meu mais é tanto menos que me exigem. Apetece-me chorar. Chorar sem medo que me avistem assim. Chorar na liberdade que trago em mim. Chorar por essa liberdade fechada, que me proíbem de ter. Vivo no medo de fazer sofrer, de não ter, de nada ser. Tenho medo. Medo de me fazer sofrer.

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